Descubra como reduzir legalmente a carga tributária da sua empresa: escolha do regime correto, recuperação de créditos, aproveitamento de benefícios fiscais e estruturação societária.
Planejamento Tributário: Reduza sua carga fiscal de forma legal
A carga tributária brasileira é uma das mais elevadas do mundo. Segundo dados da Receita Federal, a arrecadação tributária representa cerca de 33% do PIB nacional — um peso que recai diretamente sobre a rentabilidade das empresas. Diante desse cenário, o planejamento tributário é uma das ferramentas mais poderosas que uma empresa pode utilizar para melhorar sua competitividade.
Mas o que é, afinal, planejamento tributário? E como fazê-lo de forma legal, segura e sustentável?
O que é Planejamento Tributário?
Planejamento tributário é o conjunto de ações legais que uma empresa adota para reduzir, diferir ou eliminar a incidência de tributos sobre suas operações. Ele se diferencia da evasão fiscal — que é ilegal — por se basear exclusivamente em instrumentos previstos na legislação.
Há três modalidades principais:
- Elisão fiscal: aproveitamento de lacunas ou benefícios previstos na própria lei para reduzir a carga tributária. É completamente legal.
- Elusão fiscal: uso de formas jurídicas atípicas para obter vantagem fiscal sem propósito negocial real. É uma zona cinzenta, frequentemente contestada pelo Fisco.
- Evasão fiscal: omissão ou falsificação de informações para reduzir tributos. É crime.
O planejamento tributário legítimo trabalha exclusivamente na elisão fiscal.
Escolha do Regime Tributário
Um dos primeiros e mais impactantes aspectos do planejamento tributário é a escolha do regime de tributação do IRPJ e da CSLL:
Simples Nacional
Indicado para empresas com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões. Unifica o recolhimento de vários tributos em uma única guia (DAS), com alíquotas progressivas por faixa de receita.
Lucro Presumido
Indicado para empresas com receita anual de até R$ 78 milhões que possuem margens de lucro superiores aos percentuais de presunção definidos pela Receita Federal (8% para comércio/indústria, 32% para serviços em geral).
Lucro Real
Obrigatório para empresas com receita superior a R$ 78 milhões ou que exerçam atividades específicas (bancos, seguradoras etc.). Permite a dedução de todas as despesas operacionais e o aproveitamento de prejuízos fiscais de períodos anteriores.
A escolha errada do regime pode significar um pagamento a maior de IRPJ e CSLL de 20% a 40% em relação ao regime mais adequado para o perfil da empresa.
Recuperação de Créditos Tributários
Muitas empresas pagam mais tributos do que deveriam — e têm direito à recuperação desses valores. As principais oportunidades incluem:
- Créditos de PIS/COFINS: revisão dos insumos que geram direito a crédito no regime não cumulativo, com base no conceito ampliado definido pelo STJ (Tema 779).
- ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS: tese do "Século", julgada pelo STF (RE 574.706), que permite a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS e a recuperação dos valores pagos a maior nos últimos 5 anos.
- Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias: revisão da base de cálculo do INSS patronal para excluir verbas que não têm natureza salarial.
- ICMS-ST pago a maior: revisão do ICMS recolhido por substituição tributária quando o preço de venda final foi inferior à base de cálculo presumida.
Benefícios Fiscais e Incentivos
O Brasil possui um extenso sistema de benefícios fiscais que muitas empresas não aproveitam adequadamente:
- Incentivos do Simples Nacional: empresas prestadoras de serviços podem se beneficiar de alíquotas reduzidas em determinados anexos.
- PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador): dedução adicional no IRPJ para empresas que oferecem benefícios de alimentação aos empregados.
- Lei do Bem: incentivos fiscais para empresas que realizam pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
- Incentivos estaduais de ICMS: muitos estados oferecem regimes especiais, diferimentos e reduções de base de cálculo para determinados setores ou operações.
Estruturação Societária
A estrutura societária da empresa também tem impacto direto na carga tributária. Aspectos como a distribuição de lucros (isenta de IR para sócios de empresas tributadas pelo Lucro Real ou Presumido), a criação de holdings patrimoniais e a definição de preços de transferência em grupos econômicos são elementos relevantes do planejamento tributário.
Conclusão
O planejamento tributário é uma obrigação de qualquer gestor que queira maximizar a rentabilidade da empresa de forma sustentável. Feito com rigor técnico e dentro dos limites da lei, ele pode representar uma redução significativa da carga fiscal — sem riscos jurídicos.
A Aclive oferece consultoria especializada em planejamento tributário, desde a escolha do regime de tributação até a identificação e recuperação de créditos tributários. Entre em contato para uma avaliação da situação fiscal da sua empresa.
Daiana Coelho
Consultora Tributária — Aclive Consultoria
